BRASIL, Mulher, Uma menina que gosta de escrever.

 

   

    Twitter
  Orkut
  Blog do Mal Feito
  Bichogrilo
  Verbo Et Verbum
  Palavras são Palavras
  Polêmico!
  O Que os Homens Pensam
  HellMouth
  Palas Pesadas
  Sweet Revenge
  The Killer Machine Erasing Stars.
  O Homem Sincero.
  Blog do Broder.


 

 
 

   

   


 
 
da Clá.



A Festa

  Foi-se então o seu ser. Não importava mais a cor da droga que usaria esta noite. Estava pronta para viver e esquecer tudo naquele momento. Queria não sentir a fadiga do seu corpo cansado e erguer energias para manter-se na noite intensa. Adentrou aquele templo milagroso e sucumbiu à música. Queria dançar e pular e virar o mundo de cabeça para baixo. Inexplicável a mistura de pânico e harmonia em sua alma. Sentia cada batida da música em sincronia com seu coração. O mundo em sua volta agrupou-se em formas turvas e mistas, um apagão do senso. Fechava os olhos e encontrava-se em outro mundo. Um mundo de música e dança em que seus movimentos eram livres e ritmados. As luzes psicodélicas do meio contribuíam para a louca viagem que fazia entre seu mundo e o lá fora. Pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo. Sentia seu corpo tomado pela batida forte e as luzes que invadiam sua alma brincavam com a música numa festa dentro do seu corpo. Jamais se sentira tão liberta, liberta de preocupações agora desnecessárias. Amou e odiou todos ao seu redor, suas emoções borbulhavam num caldeirão quente e grande, explodindo em impulsos elétricos juntos à música.  Como suou naquela noite sedenta. Limpou-se das dores e desprendeu-se de orgulhos supérfluos. Estava em união com tudo naquele interminável segundo e tudo parecia fazer sentido. Como a noite era pura, uma hora mística e profunda, com o céu noturno alaranjado, peculiar e mágico. Inspirou a paisagem e tomou aquele jardim do éden para si. Sua expressão refletia a rapidez de seus pensamentos, fundiam-se todas as cores de suas sensações e sua face oscilava entre alegria, ódio, tristeza, pânico e paz em conjunta velocidade. Seu único desejo era que aquela euforia nunca acabasse. Mas acabou. Acabou em cansaço e sono. Saiu daquele ambiente de cores e som e foi sentar-se a beira de um pequeno lago que havia ali por perto. Suspirou e assistiu o nascer do sol deslumbrada. Era sublime o toque da chuva caindo sobre sua cabeça e brilhante a visão daquela bola de fogo surgindo no horizonte. Seu corpo era apenas carcaça exausta, mas seu espírito estava ativo e inspirado. Abraçou o calor do nascer do sol e o frio daquele meio termo entre noite e aurora. Levantou-se daquela paisagem, sorriu sinceramente para o mundo e foi para casa descansar sua alma.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 15h01
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]





[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]