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da Clá. O Duende
Você já viu um duende? Não? Eu já. Foi em uma madrugada de novembro, por volta das duas horas da manhã. Estava eu e um amigo sentados no tronco de uma árvore cerrana que fazia parte de um círculo de seis árvores do mesmo tipo; todas tortas e assombrosas e no centro do círculo de árvores havia um poste alto que iluminava uma luz amarelo-fosco. Era a praça de uma dessas quadras de Brasília. Estávamos sentados a apreciar aquela paisagem fantasiosa, parecia uma floresta de contos de fada, quando surgiu, de repente, um indivíduo a nossa frente correndo a uma velocidade estrondosa. O sujeito era pequeno e curvo. Tinha uma barba excepcionalmente longa e branca, tão branca que brilhava, o topo de sua cabeça era careca com envoltos de cabelo branco aos lados da cabeça, tão branco quanto a barba. Seu nariz era grande e pontudo e suas orelhas de igual aparência, quase que passavam da cabeça. Trajava uma blusa e um short, ambos azul-marinho e já não me recordo se estava calçado ou não. Acho que não. Corria muito engraçado, as mãos apertadamente fechadas e os braços dobrados, as pernas corriam mais parecendo um andar apreçado e rebolado. Captamos a imagem daquela criatura mística em uma fração de segundo. Piscamos. Quando olhamos de novo, o duende já estava na outra ponta da quadra. Dizem que os duendes correm a uma velocidade estupidamente alta a percorrerem o mundo inteiro em apenas minutos. Se consegui ver aquele homenzinho, de duas, uma: ou o duende estava cansado e corria a uma velocidade menor, ou eu e meu amigo estávamos sob efeito do encanto das árvores e captamos a magia de seus misticismos.
Escrito por Clarissa P. Portugal às 21h28 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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