BRASIL, Mulher, Uma menina que gosta de escrever.

 

   

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da Clá.



Sistema Nervoso

Eu te amo do fundo do meu cérebro.

Eu te amo do fundo do meu cérebro.

Eu te amo porque sinto.

Eu sinto porque penso.

Penso. Logo existo.

Penso e sinto. Sinto e penso.

Sei que sinto porque penso.

Sei que penso porque sinto.

Sinto que sei por que penso.

Penso que sinto porque sei.

Eu te cérebro do fundo do meu amo.

Te amo, Cérebro, do fundo do meu eu.

Penso eu, só porque sinto.

Penso eu, por que sinto só?

Por que sinto que só penso?

Porque só penso que sinto.

Sinto, sei, penso: por quê? Quê?

Que sei que sinto, penso.

Do meu cérebro fundo: Eu te amo.

Eu, Cérebro, te amo do fundo do meu.

Pento e sinso.

Logo, pencisto.

Do fundo do meu eu:

Penso, sinto, amo.

 


Para Tales, meu querido e amado irmão.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 19h02
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HAHAHA!

Quando não há o que se fazer, o que se faz?

You get high.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 17h02
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"Amizade é um fundo branco que você vai jogando as cores até ficar colorida."

 

 

 

 

 

 

 

 

Para quem gostou, essa é a sinopse de uma outra peça que estou escrevendo, só não sei o nome ainda.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 15h43
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Para Te

- Contar-te-ei uma mentira como se fosse verdade, até que eu acredite nela também.

- Que mentira?

- Eu te amo.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 11h52
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Sinta

  Diante do espelho nunca sabia quem era. Passava horas a fitar uma imagem que parecia refleti-la, que executava os seus mesmos gestos, mas nos olhos mentia e a boca não sorria. No reflexo via sua maldição, sem cor, tudo cinza. Não entendia o que via, às vezes menino, às vezes menina; só no espelho sentia seu inconsciente primitivo, vontades reprimidas. Levantava a mão, mas na palma não tinha vida; cada suspiro encostava no vidro, condensava em água fria. Passiva e inerte, sublimara sua alma que no espelho não refletia, mas apreciava a poesia do seu não-ser e desejava fundir-se àquela imagem. Seria o ódio e o amor que não tinha, no reflexo, sem querer, ela quase que vivia, em sua breve esquizofrenia. No espelho ela sentia seu corpo contra a parede fria, nua no espelho, mas não era como seu corpo parecia; seu pudor permitia sua nudez apenas sob a água que subia. Seu inconsciente berrava, sob sua pele adrenalina corria, mas a passividade de sua face se mantinha. Sem sentir, já estava absorvida em sua própria loucura. Silenciosa sinestesia, a heroína que por si só não via, não chorava, não sentia. Não sentia. Invejava aquela figura a imitá-la por não ter o peso do ser, apenas o luxo de parecê-lo. Não sentia. O corpo virou imagem e o cinza sem vida do espelho bateu contra o azul estéril de sua pele. A figura hipnótica se desmontou em pedaços disformes e à frieza surgiu o fervor de seu punho vermelho e pulsante. A dor queimava sua mão coberta de vidro e ouviu ao longe gritos de susto e manifestos pelo que fazia. Mas sua face não sentia.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 19h37
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O Duende

 

  Você já viu um duende? Não? Eu já. Foi em uma madrugada de novembro, por volta das duas horas da manhã. Estava eu e um amigo sentados no tronco de uma árvore cerrana que fazia parte de um círculo de seis árvores do mesmo tipo; todas tortas e assombrosas e no centro do círculo de árvores havia um poste alto que iluminava uma luz amarelo-fosco. Era a praça de uma dessas quadras de Brasília. Estávamos sentados a apreciar aquela paisagem fantasiosa, parecia uma floresta de contos de fada, quando surgiu, de repente, um indivíduo a nossa frente correndo a uma velocidade estrondosa. O sujeito era pequeno e curvo. Tinha uma barba excepcionalmente longa e branca, tão branca que brilhava, o topo de sua cabeça era careca com envoltos de cabelo branco aos lados da cabeça, tão branco quanto a barba. Seu nariz era grande e pontudo e suas orelhas de igual aparência, quase que passavam da cabeça. Trajava uma blusa e um short, ambos azul-marinho e já não me recordo se estava calçado ou não. Acho que não. Corria muito engraçado, as mãos apertadamente fechadas e os braços dobrados, as pernas corriam mais parecendo um andar apreçado e rebolado. Captamos a imagem daquela criatura mística em uma fração de segundo. Piscamos. Quando olhamos de novo, o duende já estava na outra ponta da quadra. Dizem que os duendes correm a uma velocidade estupidamente alta a percorrerem o mundo inteiro em apenas minutos. Se consegui ver aquele homenzinho, de duas, uma: ou o duende estava cansado e corria a uma velocidade menor, ou eu e meu amigo estávamos sob efeito do encanto das árvores e captamos a magia de seus misticismos.

 



Escrito por Clarissa P. Portugal às 21h28
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Xadrez

 

  Seu corpo palpitava excitação e desencanto. Sentavam em silêncio um ao lado do outro tentando decifrar as expressões enigmáticas que seus rostos ofereciam. A música que inundara o espaço já não era clara para nenhum dos dois, parecia para ela uma estranha e distante lembrança de dias menos falhos. Queria uma reação. Qualquer reação. Mas o menino ao seu lado apenas olhava para frente fuçando os cabelos em inquietação. Não conseguia inventar nenhuma espontaneidade para assustar o menino emudecido. Durou horas, parecia. Hesitava. Sugeria uma interjeição. Mas nada pronunciava. Ambos, estáticos em fala, remexiam em seus lugares evitando cegamente qualquer tipo de contato físico. Que pelo menos um abraço. Uma frase inusitada. Tanto fizesse, o que fizesse, abriria um sorriso envergonhado em sua face. Desejava ler a intimidade da mente desse que dividia seu silêncio constrangedor. Esperavam a hora de sua partida, mantinha-se sob os comandos do relógio. Respirou fundo, fechou os olhos e esvaziou sua mente agitada com idéias mirabolantes. Percorreu timidamente com a mão a distância no sofá que os separava e manteve-a imperceptível junto ao menino. E então, suavemente a pousou sobre sua coxa. Ergueram suas cabeças em rápida sincronia e olharam-se assustados, mas sem remover a mão. Pararam naquela posição e contemplaram-se com olhos arregalados em espanto e mistério. Estavam a menos de um braço de distância um do outro, no entanto sentiam percorrer milhas até suas faces se encontrarem. Fundiram-se na alquimia dos toques de seus lábios, aos poucos se rendendo em uma atmosfera sublime que beirava o amor e a intranqüilidade. Tão pouco cerrara suas pálpebras, ouviu uma música familiar perfurar a espessa atmosfera que havia se formado em volta dos dois. Chegara a hora de ir embora e a música anunciava o fim desses tão longos minutos abafados.

 



Escrito por Clarissa P. Portugal às 22h47
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Not Guilty

 

"Now, I'm standing in the kitchen
carvin' up the chicken for dinner,
minding my own business,
and in storms my husband Wilbur,
in a jealous rage.
"You been screwin' the milkman,"
he says. He was crazy
and he kept screamin',
"you been screwin the milkman."
And then he ran into my knife.
He ran into my knife ten times!"

Chicago – Cell Block Tango; June.

 

  O fato é que não resisti. Não, resisti não é a palavra. Ele me fez fazer aquilo. Desgraçado. De certo não sabia da minha loucura contida. Sabe aquelas pessoas que trocam semanalmente de gosto? Não conseguem ficar nem um mês no mesmo curso? É, ele era assim. Essa era a terceira vez que mudava de hobby e eu há muito já deixara de ser sua paixão número um. Matei-o, é verdade. E mataria de novo se pudesse, mas a culpa era toda dele. Sempre um canalha que dava a desculpa de curiosidade toda vez que me largava por um de seus hobbies. Hobby o caralho! Voltei para casa mais cedo um dia e lá estava o filho da puta comendo a minha melhor amiga! Que era amiga dele, aliás. Haha. Ri sem dó e matei os dois bem ali, na minha cama. Parecia um filme de Quentin Tarantino. Minha sorte era que um dos hobbies do desgraçado eram artes marciais. Nunca tinha usado tão bem a espada dele. Morreram juntos, num só golpe atravessado da espada.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 23h08
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(Des)Atenta

 

Zíper de uma mochila. Conversa inteligível de uma mulher. Murmuro na sala. Canetas sendo apertadas. Rabiscos no papel. Ruído ao longe de algum motor ou turbina. Borracha no papel. Troca de posição. Pássaros. O vento remexendo as folhas de uma árvore. O coçar de cabelo. Borracha do tênis esfregando no chão. Levantar de pessoas. Tilintar de metal. Intensificação de murmuro. Silêncio. Virar de folhas. Rastejar de sandálias. Uma caneta caindo no chão. Orquestra de zíper de mochila. Passos envergonhados empurrando o chão. Avião sobrevoando ao longe. Pássaros com cantos ritmados. Uma risada curta e escandalosa. Uma buzina sutil. Um diálogo intenso entre diversas aves. Troca de textura sentida pelos pés. Do asfalto ao concreto e, por fim, à grama. Ruído de pisadas em folhas secas. Vento forte contra as folhas da árvore. Motores de carro à distância. Um grupo de pessoas conversa intensamente e misturam-se em incompreensível lonjura. Um trombone balbucia notas. As conversas intensificam em altura para sobrepor o trombone. Disputa. Aceitação por ambas as partes; ambos manterão suas alturas. Risada espontânea e curta. Tropeços em galhos. Um trecho de conversa entre dois funcionários. Combinação de notas entre dois trombones. Um motor forte de moto. Abafamento do som. Pessoas se ajeitando em seus lugares. De volta à sala, longe dos sons de minha viajem.

 



Escrito por Clarissa P. Portugal às 18h14
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Para Elisa

Eu vou escrever um poeminha para você

É assim, meio desengonçado

Sem rima, sem par, sem outra

De versos livres, é branco, é solto,

Mas é de coração

E de súbita inspiração

(Certa vantagem da insônia)

Para você, querida,

Feliz aniversário e muitos anos de vida.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 00h30
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Misticismo Barato

Sagitário com ascendente em Leão.

Diz alguma coisa?

Eu acho que não.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 18h28
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A Festa

  Foi-se então o seu ser. Não importava mais a cor da droga que usaria esta noite. Estava pronta para viver e esquecer tudo naquele momento. Queria não sentir a fadiga do seu corpo cansado e erguer energias para manter-se na noite intensa. Adentrou aquele templo milagroso e sucumbiu à música. Queria dançar e pular e virar o mundo de cabeça para baixo. Inexplicável a mistura de pânico e harmonia em sua alma. Sentia cada batida da música em sincronia com seu coração. O mundo em sua volta agrupou-se em formas turvas e mistas, um apagão do senso. Fechava os olhos e encontrava-se em outro mundo. Um mundo de música e dança em que seus movimentos eram livres e ritmados. As luzes psicodélicas do meio contribuíam para a louca viagem que fazia entre seu mundo e o lá fora. Pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo. Sentia seu corpo tomado pela batida forte e as luzes que invadiam sua alma brincavam com a música numa festa dentro do seu corpo. Jamais se sentira tão liberta, liberta de preocupações agora desnecessárias. Amou e odiou todos ao seu redor, suas emoções borbulhavam num caldeirão quente e grande, explodindo em impulsos elétricos juntos à música.  Como suou naquela noite sedenta. Limpou-se das dores e desprendeu-se de orgulhos supérfluos. Estava em união com tudo naquele interminável segundo e tudo parecia fazer sentido. Como a noite era pura, uma hora mística e profunda, com o céu noturno alaranjado, peculiar e mágico. Inspirou a paisagem e tomou aquele jardim do éden para si. Sua expressão refletia a rapidez de seus pensamentos, fundiam-se todas as cores de suas sensações e sua face oscilava entre alegria, ódio, tristeza, pânico e paz em conjunta velocidade. Seu único desejo era que aquela euforia nunca acabasse. Mas acabou. Acabou em cansaço e sono. Saiu daquele ambiente de cores e som e foi sentar-se a beira de um pequeno lago que havia ali por perto. Suspirou e assistiu o nascer do sol deslumbrada. Era sublime o toque da chuva caindo sobre sua cabeça e brilhante a visão daquela bola de fogo surgindo no horizonte. Seu corpo era apenas carcaça exausta, mas seu espírito estava ativo e inspirado. Abraçou o calor do nascer do sol e o frio daquele meio termo entre noite e aurora. Levantou-se daquela paisagem, sorriu sinceramente para o mundo e foi para casa descansar sua alma.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 15h01
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Sem título

Sou poeta de esquina

Gato de rua

Malandro de favela

Filho de mãe sem pai

Detestada por poucos

Amada por muitos

Indigente de pouca fartura

Aparentada da esperança

Cantora de cabaré

Atriz do bagaço

Mera praga de verão

Estreita e forte

Marcado coração

Tagarela de praça

Britadeira de asfalto

Que sobe no banco

E grita!

Sou eu, menina,

Pequena, renegada como os espinhos de uma flor.

Clamor de perdão

 

 

 

 

Para Anne.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 13h54
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3por4

Uma imagem

Uma foto

Um retrato

 

Tudo enquadrado

Numa moldura 3x4

 

Capta o rosto

Expressão capitular

Maldita indiferença no olhar

 

Figura a alma

Num flash empalidecido

De um coitado indivíduo

 

Identidade singela

Marcação mal quista

O rosto de tempos

Na carteira a vista

 

Nada bela

A miúda fotografia

Ilustrava o nu

Da face distraída

 

No bolso, na bolsa

Sempre à mão

Uma lembrança passageira

Ou recente retratação

 

 

De amigos, famílias

Própria; quem que seja

3por4

Certo fato

Foto sem beleza.



Escrito por Clarissa P. Portugal às 11h25
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A Puta

Sou a Luxúria. Deslizo pelas entranhas de meros mortais atrás da realização de macabros desejos carnais. Sou a encarnação de toda podridão fetichista. Não me acanho em realizar os mais diversos prazeres e me divirto na sadomização alheia. Alimento adultérios, pedofilias, estupros; qualquer aberração que leve à minha realização.  Mastigo sem dó o coração arrebatado de um pobre diabo, vítima de torturas pecaminosas, agora cego pela fartura da carne. Destruo a beleza de um lar abençoado com irônicos agarros a pequenos indefesos. Domino fracos e os uso até não sobrar um botão da vestimenta alheia, e então, desfruto de tal ocasião a onde quer que seja. Já mandei vários a prisões e exílios por seguirem fielmente aos meus comandos, mas nunca os abandono; crio monstros enfurecidos que arrancam a carne de qualquer vítima à disposição. Sou a tempos usada e conhecida, reconhecida como erro ou acerto em diversas civilizações. Deuses já foram criados para o meu culto, desculpas de orgias e vinhos, em outras, sou o pecado capital. O mais forte e belo e feio. Sou rainha e escrava, prostrada em camas, cadeiras, sofás e ruas, livre de pudores e amor. Sou obsessiva e viciada, a fantasia de qualquer depravado. Fetichistas, tarados, prostitutos, meu público é mais denso que essa camada sem vergonha. Faço parte do cotidiano e me insinuo nas mais inesperadas situações. Não é a toa que me aboliram dos céus e me arrastaram até as profundezas do inferno. Queridos meus, seguidores da infâmia, fartem-se nos meus apetites sexuais!



Escrito por Clarissa P. Portugal às 17h24
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